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Diário do Ano C-19

Diário do Ano C-19

25
Mar20

A sombra do covid-19 nos gestos de cada dia

João Miguel Almeida

A sociedades humanas estão a mover-se para escapar à pandemia ou porque estão a ser destruídas por ela. Neste movimento de proteção das pessoas ou de manifestação de impotência e desespero perante a morte em massa, as sociedades estão a dar provas de existência, depois de Margaret Thatcher e os seus seguidores terem decretado o seu óbito usando a célebre máxima de que «só os indivíduos existem, a sociedade é uma abstração».

Além das transformações em escala macro, dais quais só teremos plena consciência daqui a uns anos, a pandemia está a mudar gestos pessoais e quotidianos, cujo sentido e alcance está a ser reavaliado.

Deixei de calçar sapatos de manhã. Os sapatos ficam lá fora, no pátio, à espera do momento em que os calce para sair à rua, as meias continuam na gaveta, à espera que as tire. Enquanto estou em casa, ando de chinelas.

Deixei de comer fruta com casca, depois de uma rápida lavagem com água. Agora, com uma faca, descasco, pacientemente, maçãs e peras antes de as comer. Talvez porque tenho de esperar para comer uma maçã ou uma pera, como-as mais devagar, mastigando devagar e saboreando cada pedaço. As frutas são saborosas. Compro-as na mercearia do bairro.

Ainda assim, quando a crise passar, vou fartar-me de comer fruta com casca.

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