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Diário do Ano C-19

Diário do Ano C-19

20
Dez20

Crítica da razão alarmista

João Miguel Almeida

Entre o pânico em relação à covid-19 instigado por alguma comunicação social e o negacionismo mais presente nas redes sociais não é fácil encontrar um fio de racionalidade. Alguns indicadores publicados diariamente no boletim da DGS, habitualmente pouco comentados, ajudam-nos a contextualizar a pandemia. Estou a referir-me aos gráficos com a distribuição de casos confirmados e de mortes por faixas etárias (ver aqui).

Que o risco de mortalidade associado à covid-19 é mais baixo do que muitos insinuam salta à vista: no primeiro gráfico, a coluna de casos confirmados na faixa etária entre os 40-49 anos é claramente dominante. Mas se observarmos o gráfico das mortes vemos que não há correspondência entre o número de casos confirmados e de mortes nesta faixa etária. Aliás, entre os 40-49 anos o número de mortos por covid-19 é tão baixo, que nem sequer é percetível.

É entre os maiores de 80 anos que há mais mortes por covid-19. O que, dada a longevidade da população portuguesa, inclui um número razoável de nonagenários. Não desvalorizo a morte de pessoas de idade avançada. Todas as vidas têm de ser defendidas. Simplesmente, nas idades mais avançadas raramente a covid-19 é a causa exclusiva de morte. Geralmente há outras patologias associadas e/ou uma debilidade geral do organismo.

Para os menores de 80 anos, o risco de morte por covid-19 é relativamente baixo. Mas há outros riscos associados à pandemia. O boletim da DGS podia e devia dar uma ideia desses riscos publicando gráficos com o número de internados e de pessoas em cuidados intensivos. A minha intuição é que haveria uma maior distribuição de casos pelas diferentes faixas etárias.

É estúpido correr o risco de ir parar a um hospital e de perder capacidades por causa de um contágio evitável. Além disso, não podemos subestimar os problemas mentais associados à pandemia. A começar pelo trauma de ser responsável pelo contágio e morte de uma pessoa próxima. Imagino como pode ser devastador para um neto sentir-se responsável pela morte de um avô. 

Não vale a pena entrar em pânico por causa da covid-19, mas vale muito a pena ser cuidadoso.

 

 

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