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Diário do Ano C-19

Diário do Ano C-19

02
Mai20

Desconfinar é preciso…e difícil

João Miguel Almeida

A discussão acerca dos efeitos do confinamento começou logo que foi decretado e não vai acabar tão cedo. Aos críticos do confinamento é importante lembrar que ele foi racionalmente justificado num período de grande incerteza acerca do SARS-CoV2, em que os riscos da pandemia já estavam mediatizados, o medo estava instalado na população e muitas pessoas começavam, por sua própria iniciativa, a fechar-se em casa. O confinamento permitiu, pelo menos, dar à maior parte de nós um sentimento de proteção enquanto o Serviço Nacional de Saúde reforçava a sua capacidade de resposta e os procedimentos de segurança iam sendo assimilados.

Se o período de confinamento foi razoavelmente gerido em Portugal, o desconfinamento tem riscos psicológicos, económicos e políticos. Luís Salgado de Matos apresenta aqui algumas propostas para o desconfinamento.

As histórias que tenho ouvido são preocupantes. É mais fácil tirar as pessoas de casa do que o medo da cabeça das pessoas. A economia e a sociedade vão ressentir-se e não faltam demagogos à espera da sua oportunidade política.

O gestor de uma pequena e média empresa contou-me a seguinte história: a sua empresa tem um trabalho suspenso em Espanha e, após o fim do confinamento primeiro em Espanha e depois em Portugal, é preciso concluí-lo. Cinco trabalhadores têm de se deslocar de carro a Espanha para a empresa cumprir o contrato e pelo menos um deles não quer ir por causa da covid-19. O gestor é responsável por não ter cinco carros disponíveis para transportar cinco trabalhadores? Um trabalhador pode recusar-se a trabalhar por ter de partilhar um carro com quatro colegas quando, durante o período de confinamento houve famílias com cinco pessoas ou mais que estiveram fechadas em casa? O governo já esclareceu algumas questões, mas outras, como estas, penso que continuam por esclarecer. Talvez uma solução fosse incentivar e promover a realização de testes à covid-19 que dessem confiança aos trabalhadores no regresso ao trabalho. Seria generalizar o que já está anunciado para os jogadores de futebol.

Seja qual for o «novo normal» que nos espera é preciso pôr de novo a economia a funcionar. Viver é correr riscos e o SARS CoV-2 pode não ser o pior.

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