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Diário do Ano C-19

Diário do Ano C-19

03
Mai20

Mais valia apanhar um TGV

João Miguel Almeida

As companhias aéreas não querem lugares vazios nos aviões (ver aqui) e essa é mais uma razão para gostar de comboios e voltar a pensar na questão dos transportes internacionais de passageiros em Portugal.

Ainda há poucas semanas era consensual que o aeroporto estava sobrelotado e era necessário finalmente identificar o sítio onde se ia construir o segundo aeroporto que servisse a área de Lisboa.

Com a covid-19, de um momento para o outro, o tráfego aéreo caiu abruptamente. E a questão é que me parece difícil prever como é que será o regresso a uma «normalidade». Algumas companhias aéreas já foram à falência. Será que o próprio conceito de voo «low cost» é compatível com a segurança dos passageiros num contexto de pandemia que não sabemos quando é que acabará? Já li declarações claras no sentido de negar a possibilidade de «distanciamento social» no interior dos aviões. Passageiros com máscaras sim, lugares vazios não.

Nos comboios é sempre mais fácil conseguir «distanciamento social» do que nos aviões – é só acrescentar uma carruagem. Além disso, os comboios são mais «amigos do ambiente».

Mas em Portugal, quem não pode apanhar um avião para viajar para outro país da Europa pode encarar um comboio como uma boa alternativa? Não pode. Ir de comboio até Madrid é uma experiência penosa.

É altura de voltar a pensar em ter uma ligação de TGV à Europa. Parecendo dar razão a quem acha que em Portugal tudo se pensa em termos de «oito ou oitenta», passámos da ideia de ter estações de TGV espalhadas por todo o país, para a rejeição do TGV.

Há quem argumente que podemos tornar a ferrovia mais rápida sem gastar demasiado num TGV. Mas o TGV já não é a solução nem mais rápida nem mais cara – essa solução agora seria o hyperloop.

Embora isso não seja dito publicamente, por vezes tenho a impressão de que houve em relação ao TGV uma atitude de «ou comem todos ou não há nada para ninguém», Por mim, que vivo em Lisboa, não me importava de, se não pudesse, ou não quisesse, por não considerar seguro, apanhar um avião para outro destino da Europa, apanhar um alfa pendular para o Porto, Coimbra, ou Faro e aí seguir de TGV para outro destino europeu qualquer.

É claro que um hyperloop seria ainda melhor.

A crise da covid-19, que não sabemos quando é que irá acabar, vai obrigar-nos a pensar outra vez em muitas questões.

 

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