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Diário do Ano C-19

Diário do Ano C-19

24
Mar21

O regresso à escola presencial

João Miguel Almeida

O regresso às aulas presenciais não foi um regresso das crianças aos tempos pré-covid. Algo mudou, algo está sempre a mudar e só retrospetivamente nos apercebemos do sentido dessas mudanças.

Ir buscar o meu filho à escola tornou-se também um exercício de memória. A entrada da escola, antes povoada de crianças, pais, auxiliares, uma agitação de brincadeiras, reencontros, sinais de reconhecimento, conversas postas em dia, é agora um espaço vazio vigiado por um porteiro com máscara azul.

Muitas fitas de plástico desenham o recreio como se fosse um labirinto ou um puzzle de «cenas de crime». O meu filho foi chamado pelo porteiro e veio ter comigo atravessando o recreio vazio e silencioso. Explicou-me que as fitas de plástico se destinam a definir os espaços onde as crianças podem brincar, confinadas por paredes mentais. Os miúdos já não jogam à bola. Inventaram um jogo de substituição que, explicou-me, é um misto de «futebol humano» e «manteiga derretida».

Hoje, a propósito de um TPC, disse que as «crianças precisam de sonhar para poderem ser felizes». A imaginação tem funções melhores do que construir paredes invisíveis.

 

 

14
Set20

Regresso à escola

João Miguel Almeida

Hoje o meu filho, como muitas outras crianças deste país, regressou à escola após uma ausência de seis meses. No último dia em que tinha estado na escola, antes do confinamento ser decretado, eram seis alunos numa turma de 27. A maioria dos pais não tinha esperado pela caução do Estado para retirar os seus filhos da escola.

O regresso foi feito com expectativa, tensão e regras, muitas regras. Levámos o nosso filho à escola a pé, evitando transportes públicos. Os colegas do meu filho entraram um quarto de hora mais cedo do que era costume, às 8.45, e outros entraram às nove da manhã para evitar congestionamentos. Ainda assim, a entrada para a escola foi atrasada em alguns minutos por uma longa bicha frente a um portão verde, formada por pais de máscaras na cara e filhos quase silenciosos. As crianças despediram-se dos pais no portão, esfregaram a sola dos sapatos num tapete com fins de higienização, e foram à sua vida.

Pelo que ouvi dizer, o período de aulas decorreu normalmente, com as notas exóticas da professora falar atrás de uma placa transparente de acrílico quando estava sentada à secretária e com uma máscara, quando se encontrava de pé.

A escola promete uma «nova normalidade» e tanto adultos como crianças anseiam pelo cumprimento da promessa.

 

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