Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário do Ano C-19

Diário do Ano C-19

18
Mar21

Pensar a nossa condição a partir da covid-19

João Miguel Almeida

Viriato Soromenho-Marques deu uma entrevista à Rádio Renascença em que faz considerações acerca do que a experiência da covid-19 nos diz da nossa condição humana (ver aqui). Esta pandemia obriga-nos a repensar o nosso lugar no mundo e a nossa relação com o tempo. Um dos «gurus» do nosso tempo, Yuval Noah Harari, escreveu no Homo Deus, para muitos o livro que revelava o futuro da humanidade: «The era when humankind stood helpless before natural epidemics is probably over. But we may come to miss it.» E admitia apenas que a humanidade voltasse a ser flagelada por epidemias criadas em laboratório e usadas em alguma guerra movida por uma ideologia tresloucada. 

Por enquanto, não podemos excluir completamente a hipótese do vírus da covid-19 ter sido criado em laboratório e espalhado por acidente. Mas, ainda que isso seja verdade, a destruição de habitats naturais pelas alterações climáticas potencia a passagem de vírus de animais selvagens para os seres humanos e pode desencadear outras pandemias. 

No essencial, estou de acordo com Viriato Soromenho-Marques. Discordo na importância que atribui à ausência de medidas mais restritivas no Natal no desencadeamento do pico pandémico de janeiro. Até agora o maior erro do governo foi não ter controlado as viagens entre o Reino Unido e Portugal após a descoberta da estirpe britânica da SARS-CoV-2. Medidas mais restritivas no Natal não teriam sido cumpridas. É impossível controlar o comportamento das pessoas na sua própria casa. Para muitos, «a ficha» sobre a pandemia só caiu em janeiro, com o surto epidémico.

Agora é preciso que a fadiga e a vontade de esquecer uma experiência traumática não se sobreponham à necessidade de pensar como é que a nossa sociedade se pode tornar mais resiliente para enfrentar situações deste género.

 

16
Mar21

Um ano de blogue

João Miguel Almeida

Comecei a escrever este blogue há exatamente um ano, com um título improvisado, movido por um sentimento de urgência de escrever para processar uma avalanche de informações contraditórias, emoções, acontecimentos e mudanças da vida quotidiana de todos. Estávamos a entrar no primeiro confinamento e pouco se sabia da covid-19. A margem de manobra para as teorias da conspiração e as atitudes negacionistas era gigantesca. Não tinha nenhuma teoria sobre o que estava a acontecer nem receita para evitar o desastre. Criticava as teorias e as receitas que me pareciam perigosas, partilhava as ideias que me pareciam animadoras. Um ano depois continuo a não saber muito sobre o que se está a passar. E desconfio de quem diz ter muitas certezas sobre o que está a acontecer.

Sabemos muito pouco sobre este vírus – o que é, donde veio e, principalmente, não sabemos o que será. Nem podemos excluir a hipótese de o vírus ter sido criado em laboratório e de um acidente estar na origem da pandemia. Duas coisas penso que é possível afirmar: primeiro, esta pandemia não é apenas uma gripe mais assanhada; segundo o confinamento é devastador para a economia e a saúde mental, é uma solução de último recurso, mas dá resultados na diminuição do número de novos casos, mortes e internados, incluindo em cuidados intensivos.  

Ao longo de um ano este blogue tornou-se um repositório de comentários, imagens e vídeos sobre o modo como os portugueses estavam a viver a pandemia e a pensar sobre ela. Não tem intenção de ser muito completo. Durante alguns tempos assumi mesmo a fadiga de escrever sobre a pandemia. Mas a covid-19 não se fatigou de nós. Ela continua aí, esperemos que não por muito mais tempo, esperemos que nunca mais de um modo descontrolado.

Da quase centena de textos que escrevi neste blogue, alguns merecerão ser relidos quando a covid-19 já fizer parte de um passado suficientemente distante para o podermos revisitar com curiosidade e alívio – as crónicas dos nossos dias atormentados, do humor que nos ajudou a passar as horas, dos sinais de esperança, dos momentos, apesar de tudo, felizes.

 

 

09
Abr20

«Dolphin relief»

João Miguel Almeida

https://www.youtube.com/watch?v=KdRITw6NJjU

No ambiente de angústia e apreensões causados pela pandemia, está a circular um video de salvamento de um golfinho no baleal, por Afonso, o «barba azul», que funciona como «dolphin relief» de um filme dramático. Já foi usado para fechar o noticiário da RTP e da SIC.

Não sigamos o cherne, que não vale a pena.

Sigamos o golfinho libertado por Afonso, o «barba azul».

29
Mar20

Memória e advertência da última grande pandemia

João Miguel Almeida

Um documentário sobre a dita «gripe espanhola», nome enganador porque a pneumónica não começou em Espanha e o seu início pode ter sido nos Estados Unidos, no Kansas. O video, enriquecido com impressionantes fotografias, excertos de filmes, cartazes, desenhos, mostra o devastador efeito da «gripe espanhola» no final da Grande Guerra e início do pós-Guerra. A pandemia espalhou-se em três vagas, sendo a segunda e a terceira mais mortíferas do que a primeira. Segundo uma estimativa a «gripe espanhola» matou cerca de cinquenta milhões de pessoas, vinte milhões dos quais só na Índia.

Foi uma advertência. Com a atual tecnologia e ciência podemos evitar uma catástrofe semelhante. Mas só se combatermos um vírus que a diretora geral da saúde em Portugal classificou de «muito inteligente» com a nossa inteligência. 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub