Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário do Ano C-19

Diário do Ano C-19

18
Abr20

Dia dos Monumentos em quarentena

João Miguel Almeida

No ano em que uma pandemia anda nas ruas, e num Dia dos Monumentos em que os ditos não podem ser visitados presencialmente, temos acesso, via online, a mais de quinhentas atividades relacionadas com monumentos e museus. É só seguir o link abaixo:

http://w3.patrimoniocultural.pt/dims2020/digital/

Distanciamento físico dos monumentos, proximidade digital do nosso património. É mais uma ferramenta para reinventar os dias da quarentena.

10
Abr20

Crónica do Ano da Covid-19

João Miguel Almeida

Neste blogue não pretendo defender nenhuma tese sobre a covid-19, apenas publicar uma crónica que sirva de registo e de testemunho, a partir da minha situação concreta, destes tempos de crise e mudança. Escrito isto, mantenho uma atenção crítica às diferentes teses, interpretações, análises que vão sendo publicadas sobre a pandemia e os seus efeitos sociais, económicos e políticos. Aceito, provisoriamente, as teses que me parecem melhor fundamentadas e exponho as minhas reservas em relação a outras.

Na dúvida, cumpro as normas de segurança decretadas por um governo e um presidente da República que têm melhor informação científica do que a que disponho sobre a pandemia. O Estado português – e já agora, a maioria dos portugueses – não são imunes à crítica nem sequer ao disparate mas, até agora, têm-se saído melhor nesta crise do que outros países, alguns bem perto de nós, outros – como os Estados Unidos e o Reino Unido – que costumam ser apresentados como faróis cá no burgo.

Um comentador frequente deste blogue defende que a melhor forma de combater o covid-19 seria enviar as crianças para as escolas, deixá-las infetarem-se umas às outras e, desse modo, alcançar a imunidade de grupo. Ainda que fosse verdade…quem estaria disposto a correr riscos para confirmar esta verdade?

Luís Salgado Matos no seu blogue vale sempre a ler, mesmo que seja para discordar, o Economista Português, tem vindo a contestar a quarentena devido aos seus desastrosos efeitos económicos e apresenta-nos um gráfico ( ver aqui) que compara a evolução do covid-19 em três países: Portugal, Holanda e Suécia. Portugal adotou o confinamento, a Holanda e a Suécia não.

A partir do dia em que há registos dos três países, a evolução é semelhante. Daí o blogger conclui que o confinamento é inconsequente. Mas os outros gráficos que tenho visto compararam a evolução entre os diferentes países a partir do número de dias após o primeiro registo (ou do centésimo), ou da primeira morte, em todos eles.

No referido gráfico a Suécia e a Holanda têm um pico de casos antes de haver registos em Portugal. Se as três linhas partissem todas do mesmo ponto podíamos chegar à conclusão oposta: o confinamento poupou-nos os picos iniciais que sofreram a Holanda e a Suécia.

Infelizmente, pelo que tenho lido, o confinamento forçado pouco mais faz por nós do que dar-nos tempo e atrasar o processo. O que é melhor do que nada, pois durante esse tempo muitas pessoas estão a ser e serão testadas e os serviços de saúde reforçarão a sua capacidade. Quando a quarentena acabar lá para maio estaremos melhor preparados para resistir ao covid-19 do que se tivéssemos andado por aí, como se nada fosse. Será muito mais difícil chegarmos ao caos nos serviços de saúde que afetaram Itália, Espanha ou o Estado de Nova Iorque.

Até gostava que os críticos da quarentena tivessem razão. Isso queria dizer que, após o fim da quarentena, continuávamos com a baixa mortalidade que temos tido até agora.

08
Abr20

Os dias críticos de abril

João Miguel Almeida

A minha atitude em relação à pandemia do covid-19 em Portugal é de otimismo cauteloso. Ou seja, rejeito duas atitudes antagónicas: por um lado os pessimistas que pensam que Portugal pode alcançar rapidamente o estado de Itália; do outro lado os céticos que não veem razão para alarme, nem sequer para uma quarentena geral da população, pois os números de mortos do covid-19 em Portugal não são superiores, e até podem ser inferiores, ao de outras doenças que não recebem a mesma atenção mediática.

A minha convicção pessoal é que o risco de apanhar covid-19 para pessoas saudáveis que não trabalham na área da saúde, na assistência em lares da terceira idade, ou em contacto com outros grupos de risco é relativamente baixo, se, sublinho se, a quarentena for respeitada e todas as medidas e gestos de segurança recomendados sejam cumpridos por mais absurdos ou ridículos que possam parecer.

Mas abril pode trazer uma reviravolta da atual situação. Em tempos de Páscoa, muitas pessoas levadas pelo falso sentimento de segurança induzido pelos gráficos mostrando que a curva dos infetados está a aplanar (ver aqui), pelo cansaço da quarentena e pelo hábito e desejo de reencontrar familiares, podem baixar as guardas e o número de infetados voltar a subir.

Nesse caso, só umas duas semanas após o domingo de Páscoa nos aperceberemos do fenómeno. E só umas três ou quatro semanas terá efeito na mortalidade.

Esperemos que até lá o serviço nacional de saúde tenha reforçado os seus meios para tratar os doentes em cuidados intensivos.

03
Abr20

O mundo além da covid-19

João Miguel Almeida

Não é fácil uma pessoa - às vezes quanto mais pessoas ainda pior - viver em quarentena, forrada por notícias sombrias e algumas expectativas ainda mais sombrias, sem ceder à depressão ou à obsessão com a covid-19.

A crise expõe o que há de mais estúpido e de mais criativo nos seres humanos e nos portugueses em geral. Hoje soube da estupidez que foi infectados com a covid-19 saírem de casa para fazer compras em vários supermercados.

Hoje fiquei também ao corrente de iniciativas de organizações científicas e culturais que permitem as pessoas em quarentena explorar o mundo sem sair de casa.

É o caso da Ciência Viva que, vendo-se obrigada a fechar os seus centros que têm uma função pedagógica e recreativas tão importante, alimenta um site com material que permite viver a ciência em casa:

http://www.cienciaviva.pt/ciencia-viva-em-casa/

Também a Gulbenkian durante o período de quarentena está a disponibilizar ao público mais gravações dos seus concertos, como se pode ver seguindo o link:

https://gulbenkian.pt/musica/a-musica-continua/concertos/

A música continua em tempos de covid-19. Valha-nos isso. Nietzsche escreveu que a vida sem música é um erro. Não sou nietzchiano e, em geral, aprecio mais cinema, fotografia e pintura do que música. Ainda assim, recomendo alguns dos magníficos concertos da Gulbenkian disponibilizados na internet.

01
Abr20

Uma casa não é uma escola

João Miguel Almeida

Férias da Páscoa em regime de quarentena sabem a remédio, mesmo que as crianças não tomem nenhum medicamento. Uma casa, por muito confortável que seja, não é uma praia, não é o campo, não é um recreio, não é uma rua, ou um parque.

Mas um terceiro período de aulas em casa é inimaginável. Uma casa não é uma escola. A maior parte dos pais não são professores e, mesmo que o sejam, não estão aptos a ensinar todas as matérias aos filhos.

Cá em casa estamos numa posição relativamente privilegiada. Pai e mãe estamos habituados a trabalhar em casa, temos computadores e ligações à internet. Mas o que serve para acompanhar o filho a fazer uns trabalhos de casa e umas fichas propostas pela professora, para consolidar matéria, não serve para introduzir matéria nova.

Não se pode exigir aos pais que se «mantenham on», a trabalhar em casa e, ao mesmo tempo, sejam professores. Algo ficará para trás – ou o trabalho, ou o ensino. E os casos dos pais em teletrabalho nem serão os piores. Há os pais que têm de sair de casa para trabalhar em atividades essenciais – saúde, segurança, etc – quem é que acompanha os filhos pequenos no estudo? Os avós? Mas esses deviam estar a cumprir quarentena, pois são um grupo de risco.

Se for para diante um terceiro período a sério, ou seja, com matéria nova, para os miúdos em casa, introduzem-se enormes desigualdades e consequentes injustiças na avaliação: desigualdades entre crianças que podem ser acompanhadas pelos pais e aquelas que não podem; entre aquelas que têm acesso a computadores, à internet, a software adequado, e as que não têm. Todas as desigualdades que já existem serão potenciadas por se tentar fazer, de um momento para o outro, uma escola da casa de cada um.

A quarentena já está a ser dura para muitas famílias, mais para umas do que para outras. Ouvi falar de um pai com cinco filhos em idade escolar que, simplesmente, fecha-se na casa de banho enquanto os filhos querelam e pede para ser chamado se houver sangue. Como é que um cenário destes se consegue transformar numa escola?

Não temos de pensar só no cenário económico pós-covid, mas também no cenário educativo pós-covid. E não podemos admitir um cenário em que, no regresso às aulas, se parte do princípio de que todos tiveram a oportunidade de assimilar a matéria dada durante o período da quarentena.

28
Mar20

Riso leve em tempos pesados

João Miguel Almeida

Em janeiro comprei a coleção completa de filmes de Jacques Tati. Cada filme é um olhar para o lado cómico, leve e belo de outro tempo deste mundo. Só conhecia alguns dos filmes e todos fazem falta a um tempo tóxico como é o nosso. Hoje vimos As Férias do Sr. Hulot. O meu filho de oito anos estranhou o ritmo lento da ação, mas foi entranhando o humor singular de Tati.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub